Roteiro de mergulho em Bonaire

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Chegamos ao segundo post da série Bonaire! No post de hoje, a Dani e o Coruja compartilham o roteiro de mergulho da viagem. Se você perdeu o post 1, link aqui.

“A seguir apresento meu roteiro de mergulho que foi montado junto a Operadora, e apontarei os pontos que considerei mais interessantes. Mas de forma alguma se prendam a este roteiro, existem muitos pontos de mergulho por lá, se tiver interesse de ir, sugiro pesquisar bastante para definir o próprio roteiro.

Nosso grupo tentou otimizar e fazer o máximo de mergulhos. Dessa forma, é possível programar até 6 mergulhos por dia! O mais difícil é ter cilindro para tudo isso, pois a cada vez, podemos pegar 2 cilindros cada um, sendo necessário voltar na estação de recarga e trocar os vazios pelos cheios.

O posto de cilindros fica aberto de 8h às 18h. Para mergulhos no próprio Resort os cilindros estão disponíveis 24h. No caso de fazer muitos mergulhos por dia, é fundamental ter um computador de mergulho, pois assim você poderá controlar seu tempo de fundo e principalmente, o acúmulo de nitrogênio no seu corpo, lembrando sempre que cada um de nós é diferente do outro, e o computador por mais conservativo que seja representa uma média, portanto não force seus limites, seja responsável consigo mesmo e tire momentos na viagem para relaxar, pegar um solzinho e curtir o Resort.

O madrugadão

Na programação do grupo havia sempre o que chamamos de “madrugadão” (saídas às 5:30h da manhã), mergulhos diurnos e noturnos (após o pôr do sol).

03/mar – Como expliquei anteriormente, as primeiras atividades do dia foram concluir o checkin, pagar a taxa de mergulho no Parque de Bonaire, assistir a palestra e pegar os cilindros para o mergulho da tarde. Também pegamos uma chave de armário no píer do Buddy Dive, que foi bem prático algumas vezes para não ficarmos carregando o equipamento a todo tempo.

O primeiro mergulho foi então lá no Buddy Dive Resort, mas para quem pensou que seria sem graça, estava bem enganado. Foi um mergulho lindo, que podemos observar como a visibilidade é maravilhosa e todo o potencial do lugar. Já pudemos observar os corais maravilhosos, a vida marinha e um pequeno barco naufragado. Neste mergulho como em todos os seguintes a visibilidade era de cerca de 30m e a temperatura da água era de 26ºC, cheguei a profundidade máxima de 19m. É bom lembrar que estávamos no inverno!

O primeiro ponto escolhido para o mergulho desta tarde foi o “Oil Slick Leap”. Chegando lá, observei que tratava-se não de uma praia, mas de uma pequena encosta de pedra. Cada ponto de mergulho tem uma pedra amarela com o nome do lugar na entrada para identificação. Para a entrada na água poderia ser com um passo de gigante, como fazemos no mergulho embarcado, ou por uma escada colocada no local para a entrada e saída de mergulhadores. Escolhi a entrada pela escada, mas confortável para quem ainda não tem tanta segurança, como eu. Este mergulho foi ainda mais bonito que o primeiro e cheguei a uma profundidade de 22m. Foi possível observar lindos corais, e vários animais.

O terceiro mergulho deste dia foi novamente no Buddy Dive, mas desta vez à noite. Como foi meu primeiro mergulho noturno, foi bom ser num ambiente que já havia mergulhado anteriormente.

04/mar – Neste dia fizemos o primeiro “madrugadão”, acordamos às 5h da manhã, comemos um sanduíche de queijo, já não haveria como tomar o café da manhã. Descobrimos que na recepção do hotel tinha café e leite para acompanhar o sanduba! Fomos então a um dos lugares mais bonitos de mergulho, Salt Pier! Tem esse nome porque é mesmo um píer e na região existe uma produção de sal. Curiosamente o sal produzido em Bonaire não é para consumo, soube que exportam para usos como derreter neve em lugares frios!

Descobrimos uma grande vantagem do mergulho bem cedo, parece que há maior variedade de vida marinha. A impressão que deu é que os animais de hábitos noturnos ainda não foram dormir e os diurnos já acordaram! Foi um mergulho fascinante, com visibilidade de 30m e profundidade máxima de 21m! Outra questão são as pernas do píer que oferecem também um ambiente interessante.

Voltamos ao Buddy Dive, tomamos o café da manhã de verdade, recarregamos os cilindros juntamos o restante da galera que não acordou para o madrugadão e seguimos para o segundo ponto do dia: Invisible:

Este ponto fica bem próximo de Salt Pier, com sua diversidade marinha bem parecida. Após o mergulho em Salt Pier, ficou mais difícil competir, rs.

De lá seguimos para o terceiro ponto do dia o The Lake, este ponto é vizinho ao naufrágio Hilma Hooker! Dessa forma, no briefing combinamos de seguir na direção do naufrágio, sabíamos que não seria possível explorá-lo naquele momento, pois deveríamos ainda voltar todo o caminho até o lugar havíamos deixado o carro. E assim fizemos. E fechamos mais um mergulho incrível, chegamos até a popa do naufrágio, próximo a região da hélice!

Era hora de voltar ao resort, almoçar e recarregar os cilindros mais uma vez. Uma coisa interessante foi que no carregamento dos cilindros agimos como uma verdadeira equipe, cada um com sua função, um ficava na caçamba da pick-up, tirando os cilindros vazios e colocando os cheios, outro levava de lá ao posto e vice-versa, outro fazia a medição da composição do gás e eu anotava os dados coletados e colocava na etiqueta do cilindro. Fazíamos todo o trabalho bem rápido! Com isso, teríamos mais 2 cilindros cada um para mergulhos ainda naquele dia, faríamos então Andrea II e o noturno em Salt Pier!

Chegamos então ao Andrea II, tenho que dizer que depois de ir ao Salt Píer pela manhã, os mergulhos seguintes não conseguiram atingir a expectativa. De qualquer forma, é impossível que em Bonaire o mergulho não valha a pena. O lugar tem corais lindos  e uma vida marinha muito rica.

Voltamos ao Salt Pier para fazer o mergulho noturno, a expectativa era grande, pois a experiência do madrugadão foi maravilhosa e muitas pessoas já nos haviam dito que era um mergulho incrível. E realmente fizemos um grande mergulho. Na entrada ao mar, era preciso o cuidado de manter a máscara no rosto, pequeninos peixes de estrutura bem fina, parecendo pequenas agulhas ficavam pulando na superfície. Sendo assim, corria o risco de atingir nossos olhos e causar um sério acidente. Cuidado tomado, hora de ligar as lanternas e descer. Fizemos um percurso menor que durante o dia. O mergulho noturno tende a ser mais devagar porque é preciso focar os pontos para admirá-los. Foi uma experiência fantástica e realmente atendeu as expectativas. Salt Pier com as estruturas do píer descendo pelo mar, traz um ambiente diferenciado. Foi um lindo mergulho, embora eu prefira os mergulhos diurnos.

05/mar – Neste dia, resolvemos parar um pouco, descansar e curtir o Resort. Acordamos tarde, tomamos o café da manhã sem pressa e curtimos o sol e aquela água transparente do mar de Bonaire. A temperatura da água estava em torno de 25ºC e 26ºC, até quente se lembrarmos que na Região dos lagos no Rio de Janeiro facilmente chega-se a menos que 20º. Acontece que lá em Bonaire, acredite, é inverno e as pessoas nos olhavam espantados de nos ver de biquíni e sunga na água (sem a roupa de mergulho). Estava um pouco gelada, mas nada que um bom carioca não esteja costumado.

Depois do almoço, resolvemos nos juntar ao grupo para o mergulho da tarde e da noite.

O mergulho da tarde era finalmente o naufrágio Hilma Hooker! Henrique é louco por naufrágios e esta é sua maior razão de mergulhar, sendo assim este era o ponto mais esperado por ele. Como não tenho curso de naufrágio, não posso fazer penetrações na embarcação, ao contrário de Henrique que como disse anteriormente é instrutor. Tentei convencê-lo a explorar o Hilma Hooker tranquilamente que eu ficaria em seu entorno sem problemas, junto com os demais colegas. Mas ele não me deixou sozinha de jeito nenhum. Foi um mergulho muito interessante, como ele conhece bastante de embarcações como um todo, foi me mostrando mesmo de fora as partes mais interessantes, e eu via ainda pelas janelas e portas o que dava. Como ele é instrutor, podemos avançar um pouquinho, e passei pelos porões, que são entradas largas e que não oferecem os perigos de uma penetração.

O segundo mergulho foi novamente um noturno no Buddys’s Reef, dessa vez fomos atrás de outra embarcação numa direção oposta do primeiro. Vimos muitos animais, e sempre nos mergulhos noturno víamos carpões, que são peixes grandes que se aproximam para aproveitar a luz das lanternas para encontrar suas presas. Apesar de serem peixes grandes, são bem tranquilos e não atacam os mergulhadores, verdadeiros cachorrinhos do mar. Bom, não encontramos a embarcação, mas foi um mergulho bacana de exploração.

06/mar- Chegamos à metade da viagem. E o madrugadão escolhido hoje foi Jeff Davis. Dessa vez, a praia é mais deserta e sem nenhuma areia, apenas pedras. Quando chegamos lá percebemos, que todo equipamento de um dos colegas estava no carro, e iria correr sério risco de ser roubado! Daí tivemos uma excelente ideia, escondemos tudo debaixo das pedras e fomos mergulhar. Os mergulhos bem cedo são sempre maravilhosos, uma dica boa nesta viagem é fazer sempre um mergulho bem cedo, nas primeiras horas do dia! Voltamos do mergulho e surpresa… todos os equipamentos do nosso amigo estavam lá onde deixamos, que sorte a dele, não é?!

Após o café da manhã e a recarga de cilindros, fomos a dois novos pontos de mergulho, Alice in Wonderland e Something Special! Você não concorda que são nomes bem sugestivos?

Chegamos então em Alice no país das maravilhas! Na verdade toda a viagem foi uma maravilha. A praia era muito semelhante às outras com muitas pedras sendo necessário muito cuidado ao entrar no mar. Os corais e animais encontrados também eram bem parecidos com o que encontramos por toda a região. Mesmo assim, todo o mergulho é maravilhoso. E me sentia cada vez mais a vontade neste ambiente que de certa forma ainda é novo pra mim. A visibilidade estava maravilhosa, vimos muitos animais de todos os tipos e tamanhos.

Como último mergulho do dia, escolhemos Something Special, que fica numa região próxima ao centro de Bonaire. A praia tem uma entrada bem fácil, sem muitas pedras. Na região é preciso ter cuidados especiais, pois tem muitas embarcações o que pode ser perigoso. Também foi interessante observar várias casas, ou melhor, mansões, com píer diretamente no mar. A região de mergulho é bem parecida com o Buddy Dive, foi um mergulho tranquilo sem muitas novidades em relação ao que já havíamos visto.

No dia 07/mar, fizemos o madrugadão no naufrágio Hilma Hooker, e foi fantástico! Chegamos lá com muito mais vida no entorno do naufrágio, encontramos uma família de carpão. O mais interessante é que estes animais não se assustam, normalmente ao perceber a nossa aproximação os animais saem e não ficam esperando muito o que vai acontecer. Estes carpões não estavam nem se importando com a nossa presença. Vimos muitos peixinhos se alimentando de algas e pequenos animais na superfície da embarcação. Outro ponto positivo é que nos naufrágios é bem comum levantar sedimentos com a passagem de mergulhadores próximo das superfícies, esses sedimentos são provenientes da própria degradação ou mesmo da fauna marinha, como fomos os primeiros a chegar naquele dia, havia pouco sedimento levantado e a visibilidade era ainda melhor.  Ainda desta vez, Henrique não aproveitou para explorar com mais liberdade o naufrágio pois me acompanhou todo o mergulho.

O segundo mergulho ainda foi no Hilma Hooker, pois uma parte do grupo estava fazendo o curso de naufrágio e era necessário realizar as atividades do curso. No entanto, outra parte do grupo, como eu, não estava fazendo o curso, sendo assim, aproveitamos e não descemos novamente ao Hilma, fizemos o percurso até o outro ponto de mergulho chamado Angel City, explorando um pouco mais daquela região, que é lindíssima rica em corais e vida marinha. Desta e única vez, eu e Henrique nos separamos para mergulhar, como havia outro instrutor no grupo segui na exploração até Angel City e adivinhem onde ele foi mergulhar…. Sim, no Hilma Hooker novamente, mas desta vez ele pode seguir e explorar o naufrágio internamente, voltando feliz da vida!

08/mar- Hoje nosso madrugadão final seria Salt Pier! Aquele que a maioria havia gostado mais. No entanto, quando chegamos lá havia um navio imenso no Pier. Nos aproximamos já desconfiados e quando perguntamos sobre poder mergulhar por lá fomos informados que somente seria possível no dia seguinte. Então nos despedimos de Salt Pier ali na praia mesmo.

Seguimos então em direção ao Hilma Hooker, vocês podem imaginar a felicidade de Henrique! Sim, ele gostou muito de Salt Pier, sim já mergulhamos bastante em Hilma Hooker, mas os naufrágios são sua paixão (e eu o seu amor, tem lugar pra os naufrágios tb, rs).

Após o mergulho do madrugadão, não podíamos mergulhar novamente, pois é preciso 24h de intervalo para pegar um voo, devido às questões de descompressão e acúmulo de nitrogênio no corpo. E assim, terminamos as aventuras sub. Uma delícia de lugar, paisagens submarinas maravilhosas e criaturas fantásticas.

À noite organizamos uma festa de aniversário para um dos colegas e que também acabou sendo um festa de despedida desta viagem fantástica, com direito a jantar, bolo, bolas de gás, cerveja, vinho, whisky, música e até penetra! Já viu né, brasileiro fazendo festa, quem resiste!

Bom, com tanta coisa para organizar na volta: festa, malas, devolver equipamentos, fazer o log book (registro dos mergulhos), etc. Acabamos por não fazer o check-in na Avianca para o voo de volta, que abre 24horas antes do horário do voo. Lembrei à caminho do aeroporto, daí foi um problema, pois depois de sair do hotel só teria acesso à internet nos aeroportos, e no aeroporto de Bonaire a inernet é muito ruim, junta nessa receita o site da Avianca que é péssimo, temos como resultado que não consegui fazer o check-in. Lá no aeroporto de Bonaire, uma boa dica é o freeshop para bebidas, lá o preço realmente compensa, mas só pode levar uma garrafa por pessoa. Então Henrique comprou seu Whisky e eu um Licour bem interessante, e seguimos para Curacao. Em relação à bagagem na Divi Divi, devo contar que ninguém teve problema, nem com tamanho de mala, nem com o excesso de bagagem, teve até quem pesou 25kg e não teve problema algum, nem precisou pagar pelo excesso.

Em Curacao, minha maior preocupação era fazer o check-in da Avianca, e finalmente consegui no totem, mas a marcação dos assentos só foi possível na primeira perna do voo, de Curacao para Bogotá. De Bogotá ao Rio estava como indisponível para marcar os assentos. Tentamos marcar no balcão, também não foi possível. A informação era de que só poderíamos marcar no portão de entrada do voo, alguém já viu isso alguma vez? Pois então, aí já fica a dica que tinha alguma coisa errada! Bem, continuando a nossa saga, ainda no aeroporto de Curacao, antes de despachar a bagagem, colocamos as garrafas compradas nas malas. A essa altura já tínhamos a franquia de 23kg e viajar com a garrafa na mão poderia dar problema.

Chegando em Bogotá corremos para o portão de embarque para resolver a questão dos assentos, chegando lá, o que já desconfiávamos, estávamos no overbooking! A cara de pau da Avianca foi tamanha que haviam 20 passageiros em lista de espera. A ordem da lista é feita pelo check-in, fiquei com muita raiva disto pois comprei a passagem com 5 meses de antecedência, mas não havia o que fazer, apenas torcer muito para conseguir embarcar. A Avianca queria que os passageiros desistissem de ir neste voo para ir no dia seguinte, ofereceram hotel, translado e 90 dólares. Numa outra situação, talvez desse até certo, mas na volta de carnaval, quando todos voltam no limite de tempo, com uma passagem que custa mais caro que a do dia seguinte, a chance de ter um voluntário era mínima, e realmente não teve. A Avianca tinha dois lugares (provavelmente os reservados para seus funcionários) e ofereceram para os primeiros da lista, mas eles eram um grupo de quatro pessoas. Uma dessas pessoas queria muito voltar, mas o grupo fez uma pressão e todos desistiram para voarem juntos, os próximos da lista era eu e Henrique. E assim, aos 47 minutos do segundo tempo, conseguimos embarcar de volta ao Brasil!

Ainda preciso informar sobre a questão de roubos em Bonaire. Normalmente, as pessoas saem para mergulhar nas praias e os carros ficam sem ninguém olhando, fomos avisados para não levar nada de valor e deixar os carros abertos, com os vidros abaixados. Se deixar alguma coisa no carro, é grande chance de ser roubado e se deixar o carro fechado, eles quebram o vidro o que dará um prejuízo ainda maior. Assim, saíamos sem dinheiro, com a roupa de mergulho e nada ficava no carro. Uma vez levamos pouco dinheiro para passar no mercado e deixamos escondido, voltamos e estava lá. No madrugadão, ia com a camisa que ganhamos da operadora de mergulho e chinelos (pois a roupa de mergulho estava molhada e poderia pegar um resfriado), mas não tivemos nenhum problema. Ficamos sabendo de um casal de brasileiros que foi roubado, levaram todas as roupas que estavam no carro.

Também acho importante deixar o recado de que mergulho é uma atividade física importante, que requer cuidados de saúde, antes de mergulhar faça exames médicos necessários, procure uma operadora de confiança e esteja sempre com profissionais competentes.

Bjs Dani e Coruja

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