Couro x Sintético: o dilema continua

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Sim, minha Gente. O dilema “é couro ou é fake?” entre couro e sintéticos, continua.

É só a temperatura ameaçar cair com a proximidade do inverno, e voltarem as queixa dos consumidores quanto à baixa durabilidade de peças com aparência de couro que são, na verdade, produzidas com material sintético.

No quinto vídeo da série produzida pelo criscardoso.com no Youtube, volto a esclarecer diferenças e como você escapa conscientemente da cilada do tal couro fake, vegano, ecológico…

O couro tem uma herança percebida de durabilidade, de qualidade e resistência. Ele é extraído da pele animal, é curtido e chega ao mercado varejista com preços superiores. Ele dura décadas de forma intacta. Aliás, envelhece maravilhosamente bem.

Isso é ótimo e também é a raiz do problema

Ter essa impressão emocional e psicológica da durabilidade de um material faz com que a gente tenha a bagagem sensorial e de memória atrelada a ele quando vê um ‘tecido’ (na verdade, é um material) de textura similar. Uma textura que, muitas vezes, nos coloca em dúvida se trata-se ou não de couro. O famoso ‘parece, mas não é’. Aqui, falamos dos sintéticos.

Há anos, converso com você sobre a importância de manter-se informada(o) quanto à procedência do que você veste e o melhor de todos os caminhos é um só: a etiqueta interna da sua roupa.

É nela que as informações verdadeiras tem que constar. Ali, não há espaço para licença poética, nome fantasia e outros devaneios que tentam maquiar o inevitável: a peça é de PU (Poliuretano) e, mais cedo ou mais tarde, vai esfarelar. Ponto final.

Houve um tempo em que comprar sintético, mesmo que conscientemente, compensava. As peças eram muito mais acessíveis do que as de couro!

Hoje? Bem… Nessa pesquisa mais recente que fiz no “De olho na vitrine” para produzir o 5º vídeo da série para o canal (confira aqui) dá para notar que 399 reais não é valor acessível de nada e as lojas estão com zero cerimônia na precificação (parte das justificativas confirma-se. A outra parte é o posicionamento de marca desejado que taca os preços na lua, mesmo).

Sintético seduz

Seduz, concorda? A maioria das peças em material sintético é linda! Fivelas, detalhes, camadas… A gente realmente é seduzido pela aparência e esse é o problema. Já está mais que comprovado por estudos no mundo todo que nossa decisão de compra fecha a escolha no sistema límbico (emocional) e é aí que a gente cala a boca da razão e paga no autoengano por uma peça que já tem prazo de validade sentenciado.

Todo PU é ruim?

Não é o caso de usarmos palavras como ruim ou material vagabundo. É uma opção e o problema não é ser opção, descartável ou de pouca durabilidade. O problema é a não informação proposital para não criar mais barreira de objeção de venda.

Existem tipos de PU (o poliuretano é abreviado para “PU”, mas, a sigla “PUR” é o padrão adotado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). Bolsas, sapatos e cintos também podem ser produzidos em PU, não só roupas. E, embora alguns tenham base melhor (a placa de PU é aplicada sobre alguma superfície) que lhes confira maior tempo de vida, o fim é o mesmo: esfarela e craquela. Isso pode acontecer em semanas, meses ou em uns 2 anos, se você tiver sorte com a peça.

Esquecemos que embora paguemos pela peça e consideremos que o dia 1 de vida dela com a gente é a partir da nossa passagem no caixa da loja ou no checkout do e-com, essa placa de PU pode estar pronta há meses ou anos. Assim como creme tem validade que corre mais rápido depois de aberto, o PU também tem. Resultado: você acha que está levando uma peça ‘nova’ mas que pode ter ficado meses em navio, amontoada com outras milhares, exposta à umidade e isso acelera a vida útil dela.

Quem nunca entrou em uma loja que tinha cheiro de lugar fechado e roupas que pareceriam ter saído de um container 5 minutos atrás e despejadas ali?

E-commerce e lojas físicas dentro da lei

Também observei mais responsabilidade nas lojas online, o que antes não era assim… Hoje, a ficha técnica já contempla a informação ‘material sintético’ em muitos e-commerces.

Aqui, abro parênteses para duas varejistas que visitei fisicamente para o vídeo: Riachuelo e Renner. Ambas lojas (Shopping Frei Caneca e Avenida Paulista) apresentaram etiquetas  internas completas (material da peça, base e forro). Excelentes. Preços nem tanto.

No box de descrição do vídeo 5 (mais recente), deixei o link da playlist para você assistir. Se for sua primeira vez no canal, inscreva-se por lá e vem fazer parte da nossa comunidade!

 

 

 

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