Da herança folk ao luxo: a trajetória da bandana

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O novo capítulo do boho-chique 2025 traz um acessório que saiu das ruas para as passarelas com força total: a bandana — ou lenço, ou scarf, ou ainda foulard, dependendo da estética.

E a bandana 25 vem com estampa paisley, clássica e cheia de história, ocupando novamente o espaço no imaginário fashion, mas agora com uma nova roupagem: menos rebelde e mais sofisticada, alinhada com o movimento boho-chique que marca esta temporada.

Da herança folk ao luxo: a trajetória da bandana

Historicamente associada a movimentos contra a cultura de massa — pense nos cowboys, motociclistas ou no grunge dos anos 90 —, a bandana ressurge nas semanas de moda internacional de forma mais polida e estratégica. A Etro, por exemplo, desde suas últimas coleções, reforçou o paisley como assinatura, mas agora atualizou a padronagem com tecidos mais fluidos, como a seda lavada e o chiffon transparente, criando efeitos etéreos e sofisticados.

Na Paris Fashion Week, a Chloé apostou em lenços finos amarrados no pescoço, substituindo colares, evocando uma feminilidade sutil, quase orgânica, em contraste com a rigidez das tendências do quiet luxury. A Gucci desfilou modelos usando bandanas com alfaiataria desconstruída, um movimento que traduz perfeitamente a colisão de códigos: acessórios tradicionalmente casuais associados a peças formais.

A cadência das microtendências: laços, lenços e bandanas

Esse revival das bandanas não surge isolado, mas como mais um capítulo na narrativa cíclica e cadenciada da moda. Desde 2018, notamos a diminuição do volume dos laços — que, se antes eram maximalistas, agora aparecem mais finos, delicados e próximos ao pescoço ou aos cabelos, num resgate intencional do romantismo discreto.

Esse afinamento progressivo abriu espaço para que lenços e bandanas ocupassem esse mesmo lugar, mas com um twist contemporâneo: não mais acessórios puramente funcionais ou folclóricos, mas sim elementos que assinam um styling criativo e consciente.

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Tendência e contratendência: o eterno diálogo da moda

Toda tendência carrega consigo sua contratendência. Se de um lado seguimos mergulhados no universo do old money, do quiet luxury e do lady like, com suas cartelas neutras e shapes clássicos; de outro, a moda encontra fôlego em looks mais criativos e dramáticos, justamente como resposta à previsibilidade e à homogeneidade dessas estéticas.

É nesse contexto que a bandana surge não como apêndice, mas como protagonista. O lenço estampado dá o tom para a renovação do boho — agora mais chique, menos caricato — e encontra companhia em combinações ousadas:

  • Tênis com alfaiataria: o despojamento encontra o rigor, com um styling que subverte o esperado.

  • Oxford com saia midi: outro hi-lo que reforça a ideia de um visual que brinca com códigos de gênero e formalidade.

  • Bandanas como headbands ou pulseiras: multiplicidade de usos que reforçam o caráter versátil e personalizável da tendência.

Boho-Chique 2025: o equilíbrio entre liberdade e sofisticação

O boho de 2025 não é o mesmo da década passada. Ele se conecta com a busca por autenticidade, mas dialoga com a sobriedade e o refinamento trazidos pelas tendências dominantes. O paisley é símbolo dessa transição: uma estampa de origem milenar, reinterpretada agora como emblema de uma moda que celebra o passado, mas olha com confiança para o futuro.

Seja na passarela ou no street style, a bandana é o acessório-chave que traduz a necessidade contemporânea de identidade e expressão pessoal, sem abrir mão da elegância.

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Cris Cardoso
Cris Cardoso é jornalista, comunicadora, estrategista de negócios e marcas pessoais e educadora. À frente do CrisCardoso.com, plataforma editorial criada em 2010, desenvolve análises e conteúdos sobre moda, beleza, comportamento, consumo e cultura, conectando tendências de consumo, contexto de mercado e comportamento de consumo, pela ótica da semiótica e da comunicação. É fundadora e diretora-executiva do ecossistema Ponto de Performance, empresa de educação e curadoria de conteúdo que já atendeu mais de 2 mil empreendedores no Brasil, em Portugal e no Canadá. Em sua trajetória, foi consultora de negócios e mídias digitais para empreendedores no Sebrae Brasil e docente-convidada do Senac São Paulo, com atuação em Negócios e Mídias Digitais, UX Experience e Criação de E-commerce. Também trabalhou com empresas de tecnologia e treinou executivos para se comunicarem com suas audiências no ambiente digital. Atua no ambiente digital desde 2010 e segue à frente da direção executiva e da apresentação de suas multiplataformas de conteúdo e canais no YouTube, além de idealizar e apresentar podcasts. Sua experiência reúne jornalismo, comunicação, estratégia e negócios, com atuação tanto na produção editorial quanto no desenvolvimento de marcas, conteúdos e projetos digitais.

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