Botox-like: o skincare que quer entregar efeito de procedimento sem agulhas

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A nova geração de cosméticos está aproximando cada vez mais skincare e procedimentos estéticos

Durante muito tempo, o cuidado com a pele, o conhecido skincare, teve uma promessa relativamente “simples” que ganhou degraus de glamour com o passar dos anos: limpar, hidratar, proteger, renovar, e até estimular a produção de colágeno, melhorando textura e luminosidade.

Mas a roda tem que girar, não é mesmo? Agora, a indústria quer entregar algo a mais… Eis que surge…

A nova geração de produtos de sinkcare

A nova geração de produtos promete uma transformação que pode ser percebida no espelho em menos tempo. Pele visualmente mais lisa, preenchida, firme e esticada. É nesse território que ganhou força a expressão Botox-like, ou Botox in a bottle (tipo botox ou botox na garrafa, no sentido de botox envazado, em embalagem).

Peptídeos, fórmulas de efeito tensor e ativos capazes de melhorar imediatamente a aparência da pele estão criando uma categoria que promete linhas mais suaves, pele mais firme e aquele aspecto de rosto descansado. Mas existe uma diferença importante entre parecer Botox e ser Botox.

O fenômeno já ultrapassou as redes sociais e as prateleiras de cosméticos e os maiores veículos do mundo, como a Allure e British Vogue, vêm tratando do assunto com dermatologistas e especialistas discutindo até onde os cosméticos conseguem chegar quando a referência é um procedimento estético.

O que significa, afinal, Botox-like?

Antes de qualquer coisa, vale tirar uma dúvida do caminho: um cosmético Botox-like não contém Botox. A expressão é usada para descrever produtos e ingredientes que procuram suavizar a aparência das linhas de expressão por mecanismos que lembram, em escala muito menor, alguns dos efeitos associados à toxina botulínica.

Um dos ingredientes mais conhecidos nessa conversa é o Acetyl Hexapeptide-8, mais conhecido como Argireline. Ele pertence à família dos peptídeos e ganhou espaço justamente por sua relação com as chamadas rugas dinâmicas, aquelas que aparecem ou se acentuam com os movimentos repetidos da musculatura facial.

A lógica é interessante. O Argireline atua em uma etapa da sinalização envolvida na contração muscular e pode ajudar a suavizar a aparência das linhas de expressão ao longo do tempo. É por isso que passou a ser chamado de Botox-like ou Botox in a bottle.

Mas a comparação tem limites muito claros.

A toxina botulínica é aplicada diretamente no músculo e produz uma redução clinicamente significativa da atividade muscular. O Argireline é aplicado topicamente e precisa atravessar a barreira da pele. Seu efeito é, portanto, muito mais sutil.

Como explicou à British Vogue o dermatologista Hasaneen Al Janabi, a penetração cutânea do peptídeo é muito mais limitada e ele não produz o mesmo grau de relaxamento muscular dos neuromoduladores injetáveis.

Ou seja, não existe Botox dentro do frasco.

Existe uma tentativa de reproduzir, cosmeticamente e em menor intensidade, parte da percepção estética associada ao procedimento.

A indústria não quer mais apenas tratar a pele

É aqui que a gente nota os objetivos reais da tendência: o novo skincare não está necessariamente tentando substituir o consultório e, sim, ocupar um espaço entre o tratamento cosmético tradicional e o procedimento estético.

Os peptídeos passaram a ocupar um papel importante nessa conversa. Existem diferentes tipos de peptídeos, com funções distintas. Alguns trabalham com mecanismos relacionados à produção de colágeno e elastina. Outros atuam sobre hidratação, reparação e barreira cutânea. E há os chamados neurotransmitter-inhibiting peptides, categoria na qual está o Argireline, mais diretamente relacionada ao discurso Botox-like.

Percebe que agora não estamos mais falando apenas de um creme antirrugas? São fórmulas desenhadas para produzir diferentes percepções ao mesmo tempo: mais hidratação, mais luminosidade, mais preenchimento visual, mais firmeza e menos aparência de linhas. E, em alguns casos, uma sensação de pele mais esticada logo depois da aplicação.

O efeito imediato não é necessariamente o efeito Botox

Deixo claro que, quando uma marca fala em efeito lifting imediato, isso não significa que um cosmético tenha provocado uma transformação estrutural profunda na pele em poucos minutos.

Uma fórmula pode hidratar intensamente a superfície, preencher opticamente pequenas irregularidades, melhorar a reflexão da luz e formar um filme que produz uma sensação ou aparência mais firme. O resultado pode ser bastante perceptível, a pele parece mais lisa e as linhas parecem menos marcadas, dando aquele ar de rosto mais descansado.

Mas isso é diferente da ação de um neuromodulador. Segundo dermatologistas ouvidos pela Allure (e já entrevistei alguns para podcasts também), nenhum produto tópico consegue reproduzir a velocidade e a eficácia de uma aplicação profissional de toxina botulínica. Alguns, porém, podem suavizar linhas e melhorar textura e firmeza com uso consistente.

Essa diferença entre efeito visual imediato e tratamento de longo prazo é uma das coisas mais importantes para entender a nova categoria.

O verdadeiro protagonista

Peptídio. ele é  um dos grandes ingredientes do skincare contemporâneo. Peptídeos são pequenas cadeias de aminoácidos e existem diferentes famílias, com diferentes mecanismos de atuação. Alguns são usados para apoiar processos relacionados ao colágeno e à elastina, outros têm funções de reparação ou transporte.

Os chamados neurotransmitter-inhibiting peptides são os que mais se aproximam da narrativa Botox-like porque interferem, em algum nível, em sinais relacionados à movimentação muscular.

Confira a seleção, aqui

 

O produto que quer fazer duas coisas ao mesmo tempo

Um dos movimentos mais interessantes do mercado é combinar ingredientes de efeito mais imediato com outros que trabalham progressivamente. É uma lógica muito inteligente do ponto de vista de consumo. O consumidor percebe alguma coisa agora e continua usando o produto esperando melhorias futuras. É diferente da antiga promessa de usar um creme durante meses para talvez perceber alguma mudança.

Agora a indústria quer entregar uma pequena recompensa já no primeiro uso. Resumindo? O skincare passa a trabalhar também com a lógica da gratificação imediata.

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Do Botox in a bottle ao skincare de efeito procedimento

Claramente, a indústria não está necessariamente tentando colocar Botox dentro de um frasco. Está tentando colocar no skincare a percepção de resultado que antes pertencia quase exclusivamente ao consultório.

O público está cada vez mais familiarizado com procedimentos estéticos. Botox, preenchimentos, lasers, bioestimuladores e outras tecnologias deixaram de ser assuntos restritos aos consultórios.

Ao mesmo tempo, existe uma procura crescente por resultados mais naturais que não nos levem necessariamente a parecer mais jovens e sim melhores. É nesse território que os cosméticos ganham uma nova oportunidade.

A promessa de não precisar de agulhas

Existe também uma questão cultural importante e ela tem a ver com medo ou aflição de agulhas. Nem todo mundo quer fazer um procedimento ou ficar sem movimentação do rosto. Há quem não tenha interesse em procedimentos ou simplesmente prefira começar pelo skincare.

Para esse público, um produto que promete suavizar linhas sem intervenção pode ser bastante atraente. E mesmo para quem faz procedimentos, o cosmético pode ocupar a função de atuar em conjunto com tratamentos profissionais para ajudar na manutenção ou prolongamento da percepção dos resultados.

O futuro, portanto, não precisa ser skincare contra procedimentos. Pode ser skincare mais procedimentos, cada um ocupando uma função diferente.

A grande questão continua sendo a formulação

Aqui existe uma lição importante para quem consome cosméticos. Não caia na cilada de só olhar para a palavra peptídeo escrita na embalagem, nem para a promessa Botox-like.

A formulação inteira importa. Aqui, falamos de concentração, estabilidade, combinação de ativos, veículo e capacidade de entrega do ingrediente à pele fazem diferença, já que diferentes peptídeos podem atuar por caminhos diferentes.

É por isso que dois produtos que apresentam o mesmo ingrediente na embalagem podem entregar experiências bastante diferentes: o ativo é apenas uma parte da história.

Os produtos acima você encontra aqui, na Sephora

E onde termina a ciência e começa o marketing?

Vamos combinar que Botox in a bottle é uma expressão excelente para vender. É curta, fácil de entender e cria uma imagem imediata. Mas justamente por ser tão poderosa, pode gerar expectativas que um cosmético não consegue cumprir.

Não existe – atualmente – um verdadeiro Botox em um frasco. Existem produtos tópicos que podem melhorar a aparência de linhas, textura, firmeza e hidratação, especialmente quando contêm determinados peptídeos e são usados de maneira consistente.

Durante muito tempo, o marketing de skincare vendeu ingredientes. Tivemos a febre do Retinol, depois Ácido hialurônico, a Vitamina C e agora Peptídeos. O consumidor não quer necessariamente saber apenas o que existe dentro do frasco. Ele quer saber o que vai enxergar no espelho.

Logo, a indústria está deixando de vender apenas cuidado e passando a vender percepção de transformação.

O próximo passo é tornar o skincare cada vez mais parecido com o consultório

À medida que o consumidor entende melhor os procedimentos, ele também passa a procurar produtos que dialoguem com eles e, para quem não quer procedimentos, oferecer uma alternativa cosmética para melhorar a aparência da pele.

Os peptídeos estão no centro dessa transformação porque permitem trabalhar diferentes objetivos dentro da mesma rotina com essa multiplicidade de funções e o crescimento das formulações que combinam diferentes tipos de peptídeos.

Mas ainda é skincare.

A expressão Botox-like pode ser exagerada quando tratada literalmente mas, como sinal de comportamento, ela diz muita coisa.

A beleza está ficando cada vez mais tecnológica, e o consumidor está ficando cada vez menos interessado em comprar promessa. Ele quer perceber o resultado.

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