Ian Griffiths mais uma vez mergulha em uma narrativa histórica para falar do presente. A primavera-verão 2026 da Max Mara olha o rococó francês, mas evita qualquer leitura datada. O estilista prefere costurar um diálogo entre passado e futuro, entre o rigor da alfaiataria e a delicadeza ornamental.
Essa assinatura é notada desde a abertura do desfile e passeia pelos 47 looks, nos cabelos em coque volumoso e uma beleza muito neutra.
O rococó, com sua teatralidade e excesso, encontra ecos na década de 80 — o New Romantic — e, ao mesmo tempo, conversa com a mulher contemporânea, que busca força, mas também suavidade.
Paleta e materiais
A cartela de neutros — camel, areia, preto — ancora a coleção no DNA Max Mara. Sobre essa base, surgem delicadezas visuais: tule e organza em volumes que lembram pétalas, como se cada modelo florescesse na passarela. Flores foram estampadas em organza sobreposta a algodão ou seda em saias, jaquetas, shorts e casacos. Pétalas de chiffon estampado foram organizadas em camadas esvoaçantes sobre minissaias de estilo coquettish, criando a sensação de modelos florescendo em movimento. Essas construções contrastam com a funcionalidade de tecidos técnicos e alfaiataria precisa.
Silhuetas e atitude
O verão Max Mara tem cintura marcada por cintos esportivos, quase utilitários, que atravessam toda a coleção. Eles funcionam como contraponto direto à fluidez do tule e ao movimento das organzas.
Os tops de costas nuas revelam uma sensualidade minimalista, enquanto trench coats e casacos de ombros estruturados reafirmam a força. Saias lápis e minissaias coexistem, criando um repertório amplo de atitude. Muitos looks revelavam o abdômen, pontuado por cintos finos de elástico preto, que agiam como um toque de contenção frente ao froufrou rococó, equilibrando delicadeza e rigor.
Os trench coats e saias lápis receberam variações surpreendentes: decotes coração amplificados, peças oversized em tecidos mesh, e algumas desconstruídas em cropped tops e saias lápis. Os dois últimos looks encapsularam o diálogo desta temporada entre contenção e excesso: um vestido longo de malha justo coberto por babados foi seguido por um look de cintura aberta adornado com pétalas de seda preta.
O detalhe como metáfora
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Os cintos elásticos funcionam como amarração entre dois mundos: de um lado, o esporte e a praticidade; de outro, o romantismo florido.
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Os volumes em tule, organizados como pétalas, transformam a silhueta em metáfora viva de uma flor que se abre.
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Os decotes coração e costas nuas são gestos de intimidade, quase uma vulnerabilidade controlada, equilibrada pelo peso gráfico da alfaiataria.
Tendências que emergem
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Alfaiataria sensorial: cortes rigorosos suavizados por transparências
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Tule e organza com construção escultural, quase botânica
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Cintos esportivos como assinatura visual
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Decotes elaborados e costas expostas
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O dualismo entre utilitário e ornamental
Por Cris, da Redação CCC
Max Mara SS26 é um exercício de dualidade. Griffiths traduz o excesso rococó em códigos contemporâneos: pétalas viram arquitetura em tule, cintos utilitários quebram a delicadeza, a sensualidade surge em gestos contidos. O desfile mostra que o poder feminino não é linear: ele pode ser pétala e aço ao mesmo tempo.
















