A Etro acaba de entregar um dos desfiles mais intensos desta temporada de Milão.
Marco De Vincenzo, em seu terceiro ano no comando criativo, resolveu escancarar o DNA da casa. Nada de moderação, nada de meia medida. O resultado foi um espetáculo que transformou o maximalismo em linguagem principal.
ETRO SS26
A coleção primavera-verão da Etro propõe o contraste entre a disciplina arquitetônica de formas muito bem executadas e o excesso visual em estampas, sobreposições, volumes e babados regados a muita, muita informação cromática e de textura.
Contexto e inspiração
Achei o cenário escuro… Entendi a proposta do ‘quente’ e solar ficar a cargo do ao vivo, na voz vibrante de La Niña del Sud, que também influenciou o espírito festivo do show, cabendo às duas passarelas paralelas a mensagem da grife no desfile. Talvez pelo excesso de verde oliva e beges mais fechados na representação do terroso, tenha ficado com a impressão de uma paleta menos impactante, mas já explico.

Estética, materiais e silhuetas
Na passarela, tudo girava em torno de movimento, textura e impacto. Rendas, franjas, crochê, babados e jacquards metálicos disputavam espaço em muita informação de camadas e volumes (com requinte de muito, muito babado). O mais genial na criação de De Vincenzo é a capacidade de trazer o famoso ‘tudo junto e misturado’ de forma tão harmônica.
Como expliquei na análise do canal, para amantes do minimalismo, o desfile da Etro pode parecer excessivo ou confuso. Para quem entende do maximalismo estruturado, foi puro deleite.
O couro vinha em blocos coloridos. Os jeans recebiam a assinatura sutil da marca e as transparências apareciam sobrepostas, criando jogos de luz e sombra zero apelativo.
Por vários momentos, me vi em um carnaval mediterrâneo de extremo bom gosto. Fendas generosas, mangas teatrais e peças que dançavam a cada passo mostravam uma Etro exuberante, que não pede desculpas por ser intensa.
Acessórios
Nos acessórios, não vimos os colares longos com pingente maxi que muitas grifes adotaram para essa temporada. Vimos, sim, as mesh hats em vários looks (temos conteúdo sobre esse acessório incrível aqui e no canal)
… da redação CCC
O ponto alto foi esse compromisso de De Vincenzo em devolver à marca sua identidade. Enquanto muitas casas mergulham no minimalismo, a Etro grita o contrário: excesso, festa, vitalidade. Não é uma coleção pensada para agradar de imediato. É uma coleção pensada para marcar.
E marcou. Foi, sem dúvida, um dos desfiles mais Etro dos últimos anos.














