É, pois é. A gente é de um tempo em que TPM é motivo de meme e piada. No máximo, ajuda a vender chocolate e suco de maracujá. Mas, minha mãe, do alto dos seus 80 carnavais, me disse que, nos idos de juventude dela, a mulher tinha direito de folgar 3 dias no mês por causa “daqueles dias”. Invejei.

Tive policistos e princípio de endometriose antes dos 30. Menstruação para mim nunca foi um horror, mas é período sofrido, quase todos os meses. Não pela dor em si, porque para isso conto o Santo Ponstan (um dos únicos medicamentos alopáticos que uso). Falo do psicológico e do emocional que, no efeito dominó, vão avassaladoramente tomando conta da minha mente e da vida inteira por quase 10 dias.

Minha irritabilidade cessa quando a menstruação desce. Na verdade, é TPM mesmo (tensão é pré-menstrual e não DURANTE a menstruação). São mais de 7 dias com uma fome surreal, emoções à flor da pele, pensamentos de vai e vem…

pensando

Vou menstruar essa semana e hoje, segunda-feira, levantei com saudade de uma época que nem vivi.

Levantei cedo para caramba e, enquanto me arrumava pra ir trabalhar até emanava carinho no meu ritual matutino (que curto, sério) mas sentia que a vontade real, real mesmo, era ficar quieta no meu canto, em casa.

Crescemos no ritmo da montanha-russa, estudamos e trabalhamos. Parte de nós decide seguir a vida solteira ou com par. Parte escolhe ter filhos, pets etc.

Reivindicamos tantas coisas e nos igualamos em algumas, já. Mas a nossa natureza, inegavelmente, é A NOSSA natureza e isso não tem SE.

Pode-se atenuar a bad trip com remédios e hormônios, assim como podemos melhorar as emoções e os pensamentos que emergem com terapias. Tudo é válido, mas o acesso ainda não é para todas.

Naquela hora, de frente para o espelho, falei em voz alta: Preciso lembrar, quando minha vida de empreendedora me bancar, que a semana que anteceder a menstruação será fechada no melhor estilo Day-off [week off] para mim. É assim que eu quero e é isso que farei.

Quem tem família (a) pets e b) filhos), até pode rir e dizer que estou escrevendo isso porque não tenho nem a letra a) nem a letra b), diretamente e, a estas pessoas, repito a palavra mágica que mencionei antes: ESCOLHAS.

Ainda assim, quando falo em dias-off, falo de coisas que a gente não ama mas precisa seguir fazendo.

Deduzo: mães que escolhem ser mães devem amar seus filhos, assim como donos de pets que escolhem os pets, devem amar seus pets, certo mas crianças e pets ficam doentes, tem vontade involuntárias às nossas e tudo mais que envolve o universo de seres vivos. OK. Parte do pacote escolhido.

Mas, pense, Gente: que maravilha seria se a gente tivesse os diazinhos -aqueles -pra sossegar a cabeça, administrar a vontade de trator de devorar a caixa toda de chocolate e voltar linda, leve e SEM OLHEIRAS, dias depois?

young african woman thinking

 

Horas para ler, para colocar a arrumação da prateleira preferida em ordem. Horas para ir à manicure sem parecer a desesperada (e descabelada) da gincana. Horas para tomar o chá com a mantinha nos pés ou pra correr os km almejados! Horas para fazer xixi sem ninguém colado em você, conferindo o cronômetro do tempo que a mãe demora pra sair do vaso.

A questão não é alimentar criança, marido ou mulher, casa e jardim. É forçar sua cabeça para análises, relatórios e tudo mais analítico que exige menos ternura, justo na hora em que várias partes da gente pedem exatamente o quê? Ternura! A nossa, em primeiro lugar.

Seria mais feliz pra todo mundo. As empresas teriam funcionárias mais eficientes e felizes. As casas teriam nossa energia mais leve e inteira. Mudaria demais uma série de aspectos? Mudaria. Mas, como tudo na vida, é adaptação, não?

Ainda me questiono porque nossa natureza nos dá esse período. Notei que quando retiro determinados tipos de alimentos e incluo outros, a coisa fica mais branda (ou menos tensa… kkkkkkkkk).

Já li de tudo, em várias correntes filosóficas e religiosas mas, de boa: tá na minha listinha de FAQ – as famosas Frequently Asked Questions – para Saint Peter. ‘Migo, cadiquê essa dor em tantos níveis, para mulherada lá da Terra?”.

Hoje, às 6.30h da manhã, senti vontade de viver os 3 dias que nunca tive.

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