Levar um fora não é tarefa das mais fáceis. Obvio que não é. Via de regra, quem entra com o pé já vem pensando nele há dias, talvez semanas. Nem sempre sinaliza, nem sempre começa a ficar distante numa tentativa de “o gato subiu no telhado”, nem sempre dá o menor indicio da catástrofe prestes a chegar.

Quem entra na história com a bunda tem um cenário totalmente diferente. Essa é a parte que, em junho, está vendo o calendário para planejar onde a dupla passará o réveillon, está super animada para as férias e já pensa nos próximos finais de semana.

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Eis que, em um dia, a conversa acontece. Se a parte do pé for digna, ainda rola um olho no olho. Se for do time dos pés covardes, um telefonema ou mensagem ‘para tirar logo o problema da frente’ resolve.

O ‘bundado’ desaba. Incrédulo, repensa os últimos acontecimentos como um filme tão rápido, mas tão rápido que parece aluno em revisão de prova com o tempo esgotado, tentando salvar todas as questões que ainda estão em branco, antes do professor chegar na sua cadeira. O bundado tenta achar, no meio do tsunami mental, onde errou, em que ponto o empurraram do ônibus e ele nem percebeu que saiu rolando rua abaixo. Foda.

A gente vive numa gangorra no amor. Às vezes da certo, às vezes não.

E mesmo tendo a consciência de que a gangorra pode quebrar e que nosso equilíbrio distraído pode nos levar à chon, a gente zera a sensação de dor, zera o cronômetro das tentativas e enche o tanque todinho de novo, na esperança de que essa, ESSA viagem seja maravilhosa.

Começar um romance é sempre risco. Mesmo para os experts em conselhos, leitores vorazes de 300 mil manuais, técnicas, guias etc. mesmo para esses. Quem dirá para os mortais que vivem um dia após o outro. É sempre um risco saber que, amanhã, podemos (ou seremos) nós uma das duas partes citadas aí em cima e, ainda assim, a gente insiste. A gente paga pra ver. Porque acredita, porque gosta, porque amar é bom demais.

Até hoje, não conclui quando é a hora de frear. Talvez nem exista a tal hora…

Deveria ser uma norma de etiqueta amorosa-social que todo pé tivesse que levantar uma bandeira amarela para que os bundados soubessem que não é para dar mais um passo e que o melhor é entrar no ritmo do ‘pegue seu banquinho e saia de mansinho’…

Menos pior é quando o bundado sabe que o pé vai dar a sentença de morte súbita, fazer chorar, sair com cara de pena e… desaparecer. Bate o desespero, mas é diferente. É um desespero que vem da posse, das projeções feitas que não serão realizadas, das promessas que, agora, tornam-se vazias. Chora-se e, sabe-se lá porquê, o negócio todo fica em torno de todos os momentos felizes e lindos, esquecendo também os ruins e os dolorosos e a confusão só piora porque a coisa toda vira quase uma mea culpa masoquista. Já é um cenário de merda, mas possível.

Tem cenário mais difícil: o de ter que seguir olhando para a cara da pessoa todos os dias. Pares que trabalham juntos ou estão envolvidos em atividades e se separam na vida mas tem que seguir no horário comercial sabem bem o que é isso. E, sem discurso hipócrita: isso pode acontecer sim, e acontece, com mais frequência do que se imagina. Afinal, passamos mais tempo no ambiente de trabalho do que no grupo de amigos. Passamos mais tempo encarando as mesmas pessoas todos os dias do que conhecendo novas. Então, se há disponibilidade de ambas as partes, por que não?

A questão é sempre o ‘como’ lidar com o pé na bunda já que ele pode ser inevitável. Quem tem fórmula deveria patentear e vender a preço de ouro. Já li de tudo: gente que, escancaradamente, ensina as pessoas a serem tão rasas ou mais do que as desculpas dadas para um término sofrível.

Se você está passando por seu momento pé na bunda, tente só ter calma dentro do que é possível. É um pós-operatório difícil mas, conselho de quem já entrou de emergência em 2 centros cirúrgicos: PASSA.

A dor do começo é a pior até porque, normalmente, o pé na bunda mais recente sempre traz a chave da caixinha das tristezas, tipo bônus: pague as consequências por 1 e leve tooooodos os anteriores de brinde! E aí a gente chora pelo recente e por todos os outros que estão na caixinha, como aquele palhaço de mola das antigas, que vem dentro de uma caixa. Sempre penso que ele deve ficar tão emputecido e entediado que, quando alguém dá bobeira e plaft, abre a tal caixa, ele pula que nem pipoca no óleo quente.

A gente chora por todos os outros que passaram antes e que deram a mesma dor. É inevitável. Parece que cada término tem o carma dele com herança genética de todos os anteriores. O peito dói, que parece que vai rasgar até que, um dia, a gente amanhece se sentindo estranho, diferente.

E a gente se olha e começa a lembrar vagamente que da outra vez também sobreviveu. Doeu, mas a gente sobreviveu.

E vai continuar sobrevivendo até uma hora em que alguém chegar e a dor sair inteira. De novo.

Com o tempo, a seleção melhora. Já não se cai no papo furado de qualquer um. A gente saca de cara se a conversa vai além de um encontro. Já não leva a sério quem não faz por merecer. E nada disso precisa vir com ranço de passado ou calo, não… É com serenidade mesmo.

A dor que rasgava não rasga mais. Aquela pessoa que ontem era uma estranha e chegava de mansinho, com suas virtudes e seus defeitos, começa a fazer a gente sorrir mais do que chorar e a montanha russa começa toda outra vez.

Fica tudo blindado, como as garrafas que são jogadas ao mar, rolam por ondas e ondas e, um dia, param em outra praia.

A bunda? Mais firme. Sempre e, a cada vez, mais firme.

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