Na minha timeline do Facebook, ontem, bati o olho num post da jornalista Mariliz Pereira Jorge. Era uma info do Portal Comunique-se com uma notícia triste para o setor editorial: a Estilo, publicação da Condé Nast, depois de 15 anos, teria 2 últimas publicações. Depois? Adios.

Senti o aperto no peito de imaginar outros tantos colegas sem trabalho, mas, lendo o que a Mari colocou tão bem, só pude concordar:

Vou falar uma coisa que muita gente não vai gostar.

O fim de mais uma revista feminina e as pessoas que dirigem revistas femininas não entenderam ainda o problema, além da ladainha de que o mercado isso, o mercado aquilo.

Ninguém sabe quem faz essas revistas. Jornalistas de revistas femininas se acostumaram a chegar com suas bolsas de grife nas redações, frequentar eventos e viver suas vidas, sem se expor. Não é o que o leitor quer.

O leitor quer saber quem são essas pessoas e só assim consumir o que produzem. Querem conexão com a pessoa que escreve. Querem saber se aquela informação por trás da página traz verdade. Caso contrário vão procurar essa conexão onde podem encontra-la. Em blogs, vlogs, fanpages, Instagram. Por isso musas fitness fazem sucesso, mesmo sem ter conteúdo de qualidade.

Não adianta escrever textão na teoria, se por trás do textão da revista a pessoa não é aquilo de verdade. Não cola mais. E as pessoas que fazem revista, a maioria, não entenderam isso ainda. As revistas que vão bem, pode reparar, são as que levaram para suas redações gente que escreve o que vivencia, se expõe nas redes sociais, oferece ao leitor o pacotão todo da experiência de se informar e se entreter. Que não entendeu isso, vai dançar. É duro, gente, mas é isso aí. E da-lhe fechar revista. Qual será a próxima?

Hoje, abri o Chata de Galocha e tinha uma matéria da redação do blog sobre a Elaine Welteroth, editora chefe da Teen Vogue.

Meu olho brilhou, minha mente fez aquele bate-volta no post da Mari e voltou pro do CG: sim, é exatamente isso. O mundo está no gerúndio permanente do verbo mudar e quem não se adaptar a isso, vai rodar geral.

O site da Teen Vogue, desde que Elaine e seu squad assumiram (há 5 anos), cresceu em mais de SEIS MILHÕES de visitas únicas.

Elaine, 30, quebrou tabus na publicação. Pasmem (ou não), mas ela foi a primeira negra a ocupar o cargo de beleza antes de assumir a revista e é, na história do grupo Editorial Condé Nast inteiro, a segunda mulher negra a ocupar o cargo de editora chefe.

O trabalho dela passa longe do supérfluo. Com um público-alvo de adolescentes e jovens, ela fala de tudo que a geração curte. Fala de empoderamento, política e, claramente, prepara essa galera toda para uma próxima geração da publicação, consumindo moda atrelada a outros segmentos antenados e zero alineados para o mundo em volta, com temas de identidade de gênero e inclusão.

A missão dela ao assumir a revista está com um checklist muito positivo.

Outro detalhe: basta uma olhadela nas redes sociais de Elaine para constatarmos que a presença dela é forte, ela sabe onde seu público está e como falar com ele. Expõe a vida pessoal com a pitada exata do profissional, mas, não aparece mais do que a publicação.

Elaine Welteroth com Bethann Hardison no NYFW HQ, falando sobre diversidade

E aí, volto ao texto da Mariliz: se revistas on ou offline insistirem na teimosia de seguir a mesma receita de bolo de 15 anos atrás, estarão fadadas ao desfecho infeliz.

 

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