No post anterior (leia tudinho aqui), abríamos a reflexão sobre a moda e como todos, sem exceção, estamos inseridos nela. Inclusive, os amigos inflamados que tanto a criticam, assim como criticam os formadores de opinião do setor e a turma de bloggers.

Disse a vocês que tudo que me incomoda no outro é um sinal de que algo em mim está pedindo atenção. Não culpo o outro se algo que vejo na vida dele incomoda a mim. Trago para dentro, esclareço e sigo.

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A moda está na percepção sobre a própria moda.

A moda anda meio sem noção? Sim e não. Acho que existem criadores para todos os bolsos e todos os públicos e é óbvio que se seu núcleo de convivência ganha entre 1 e 5 dinheiros por mês, seja lá que moeda for, a conversa crítica do seu núcleo apoiará o seu tom e isso dará a falsa percepção de que vocês estão certos e o resto do mundo, surtado.

Assim, a parcela de pessoas que ganha 1/5 do que este grupo ganha acha absurdo o que está fora do alcance e, assim, sucessivamente. Isto é absolutamente compreensível e estudado pelo MKT: o conceito de semelhança e aproximação, gostos e núcleos.

E aí, chegamos à uma conclusão: o fato de alguma coisa ou alguém estar distante ou fora da minha realidade não invalida ou deprecia a legitimidade daquilo. A menina que
viaja o mundo não exerce cobrança sobre você a ponto de você se sentir uma bosta porque ela viaja o mundo. Quem tem que se arrumar psicologicamente é você, ela está linda e muito feliz na foto dela.

“Esse povo vende uma vida irreal”. Não, não é irreal não. Eles existem e poderiam fazer parte do Globo Repórter: quem são, o que comem e como vivem as pessoas que ao invés de falarem mal das outras, vivem a vida ‘dos sonhos’ da maioria. O ‘dos sonhos’ está em destaque de propósito.

Esses ‘seres’ também sentem dor de cabeça, de dente e também soltam pum, igualzinho ao coleguinha inflamado que reclama deles. Se conseguiram um estilo de vida invejável, corramos nós atrás do que queremos ao invés de ridicularizar quem já tem o que quer. Se nos sentimos cobrados, fragilizados e tudo que termina em ado de inflamado porque não vivemos o tal láifi-istáiou dos poucos eleitos, a gente pergunta lá pra São Pedro porque Fulana nasceu com mais estrelinhas e chances de carimbos
no passaporte, mas não devemos (mesmo) demonstrar esse despeito descarado que anda por aí. É feio.

Para mim, o problema não é o criador apresentar a tendência do batom preto ou a saia que custará 1500 Euros. Isso é criatividade e é oferta. Para quem puder ou quem quiser. Oferta existe na moda, na arquitetura, na decoração, nas artes, na feira livre, no book rosa.

Seguindo a nossa conversa, pensemos em um quadro, qualquer quadro: qual é a função prática dele? Ficar pendurado na parede. Isso muda o mundo? Não. Dá poeira e, vez por outra, obra de arte ou quadro de feirinha do amigo que tenta seu lugar no rol da fama, corre risco de mofar. No entanto, tanta gente respeita e acha lindo, certo? É cultura, é arte. É moda também, não se iluda.

Inflamados esquecem, mas a tal moda que eles ridicularizam também está no carro, na bike, na moto, até nos patins, no skate e no patinete.

Vejamos: Você anda num carro de 1965 ou está sempre com um olho na gratidão pelo carro que possui e outro olho no modelo que passa na TV ou que você vê no encarte do jornal para trocar “por um mais novo quando der”? Não, não se julgue nem julgue quem assume que faz isso.

E porque pensar em trocar de carro por modelo melhor é ok, mas escolher vestir uma roupa de marca com tecido e corte melhores é fútil? Considere, inclusive, que vc não depende de carro para sobreviver caso tenha locomoção perfeita em suas pernas (poderia, por exemplo, usar o transporte público) mas morreria de frio em temperatura baixíssima se estivesse pelado, pelado, nú com a mão no bolso em uma noite qualquer. Ah, sem falar no fato de que se estivesse pelado correria o risco de ser preso…

A moda está na escolha do lugar pro Happy Hour ou da comemoração do aniversário do coleguinha inflamado.

Comemora aniversário ou marca happy hour (regularmente) na padoca da esquina ou escolhe “um bar mais legal, com gente bacana e que não seja “caído”? Isso é moda, não se julgue com a mesma ira que julga os que assumem isso sem vergonha das críticas.

A moda está em nós o tempo todo, impactada direta ou silenciosamente pelo marketing pulverizado. Sem exceção.

Agora, vamos para a análise mais fácil: abra o guarda-roupa (ou se vc tiver um, o ‘closet’) e observe: está ali seu perfume de grife? Isto é moda.

Dê uma olhadinha na sola dos sapatos. Vale Arezzo, Schutz, Prego. Isso é moda.

Suas blusas, calças, seu relógio e até a lingerie ou a cueca: tem etiqueta? Que nomezinho está escrito nestes itens? Isso também é moda.

Coleguinhas inflamados, continuem criticando quem fala, escreve ou trabalha com moda. Só reflitam na hora de escolher suas fragrâncias, os tecidos e cortes que
favorecem ou detonam suas lindas curvas, os lugares dos happy hours que vocês também AMAM postar no instagram que eu sei, o banco do carro onde suas lindas bundas sentam e os locais das férias, incluindo o meio de transporte para chegar aos destinos. Quem aí topa o busão de 3 dias de viagem para chegar ao Nordeste ao invés do assento da TAM? Levanta a mão, aí!

Ah! Lembrem também da decoração de suas residências, comecem pelo bairro que vocês escolheram para viver, tá? Lembrem da marca da tinta de cabelo que vocês escolhem, da lâmina de barbear e dos tipos de alimentos que consomem, ultimamente. Lembrem dos grupos-modinhas das academias que combinam a prática de esportes da moda. Guess what? Tem marca e MODA em tudo isso também! Tá tudo junto e misturado, no mesmo pacote.

A diferença entre os inflamados que criticam os amiguinhos blogueiros chamando-os de “superficiais” é que o grupo de blogueiros gosta do que faz e põe a cara pra bater
enquanto a maioria que usa tudo isso (que o grupo de blogueiros ajuda a propagar) mas quer pagar de isento “deste circo midiático” usa tudo na surdina e continua no
discurso.

Me desculpem, mas entre a hipocrisia dos Inflamados e a (suposta) futilidade dos “Aparecidos”, fico com a segunda que é bem mais autêntica. Ela se assume e se banca. E, se a gente olhar direitinho, nem fútil é, porque, uma hora ou outra, ela se mostra bem útil e bem usada seja como propaganda ou referência.

Vamos julgar menos e aceitar mais as diferenças. O mundo todo é díspar e cada um que faz o seu trabalho no melhor que pode, merece no mínimo, respeito. E, para fechar nosso post de hoje: Cuidado, coleguinha inflamado que critica blogueiro e a moda. Discurso inflamado a la hater também está na moda… Tem gente que já é vitiminha fashion mesmo sem querer.

Lembro que, neste espaço, tenho a liberdade de escrever o que PENSO e ACREDITO e, assim como tenho lido e respeitado as opiniões de vários colegas de mídia, deixo
a minha aqui aos meus leitores e visitantes.

Se você não leu a parte 1 deste post, é só clicar aqui

Beijo pra vcs.

A paternidade pelo olhar... dos pais
Julgadores inflamados, aviso-vos: vocês acham que criticam a moda, mas também estão nela

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