A ausência: do acidente à celebração estável com Harry&Sally

O acidente e o sopro da vida que muda os rumos 

Oi Turma, quanto tempo! Demorei para escrever esse texto por 2 razões: estava 100% impossibilitada e não queria fazer relato de dor ou tristeza aqui no site.

Este espaço foi criado para informar, apresentar e dar dicas a vocês sob uma ótica positiva, que agregue alegria e traga sonhos.

Há uma semana, vim ao RJ visitar minha família. No sábado à tardinha, uma daquelas situações que a gente vive sem esperar, aconteceu: sofri um acidente doméstico: o portão de ferro da garagem caiu inteiro em cima de mim. Foi tudo tão rápido entre perceber o peso e me ver no chão sentindo uma dor que não consigo colocar em palavras...

Minha perna esquerda foi a parte do corpo que suportou meu peso, a queda e todo o portão em cima e, na hora que meu pai veio correndo, desesperado, eu já percebi que alguma coisa tinha acontecido. Não conseguia mexer 1 milímetro minha perna esquerda mas sentia todo o restante do corpo, graças a Deus.

Meu pai, que no ano passado sofreu um infarto forte, teve forças sabe Deus de onde, e arrastou aquele peso enorme de cima de mim. Nossos vizinhos foram maravilhosos, ouvindo meu grito vieram em segundos e ajudaram meu pai, ligaram para a ambulância e me deram a mão, o que de tudo, foi o mais importante.

Naquele momento ali no chão, a vida passava como aqueles filmes que muita gente que sofre acidente conta que vê. Arrependimento de deixar pra "daqui a pouco" qualquer coisa - porque afinal, só iria ali e já voltava -, coisas que podiam ter sido feitas, como organizaria minha vida agora em relação a tudo que tinha ficado pendente em SP já q não tinha a menor idéia do que aconteceria comigo nas próximas horas. Foi agoniante. Comecei a sentir os efeitos da ossatura partida, os músculos invadidos pelo osso e a dor aumentando.

Todos os socorros que recebi na ambulância do serviço público que me removeu de casa e levou para a emergência, quanto o transporte pela Amil para o hospital de trauma ortopedia no Rio, foram excepcionais. Pessoas que me olhavam nos olhos, diziam palavras doces e me deram a mão. Minha vizinha foi comigo na ambulância e meu irmão, meu braço direito, me acompanhou todo o tempo, mesmo Recém operado. Minha cabeça começou a oscilar pela dor entre a preocupação com meus pais em casa , (pq ambos tiveram problemas de saúde do ano passado para cá) e meu futuro.

Os dias até a cirurgia foram muito difíceis. As radiografias identificaram fratura de fêmur em 2 areas muito sensiveis, rachadura do iliaco no lado direito. Fora as escoriações em todo o corpo. Não tomo quase remédio algum e, de repente, me vi recebendo morfina, anticoagulante e tudo mais, na veia dos 2 braços, de 4 em 4horas. Foi muito difícil a adaptação com tanta droga, falta de apetite e um estômago suplicando paz.

A cirurgia aconteceu terça à noite, mas perdi muito sangue e precisei de transfusão. Só tive alta sábado à tarde. Devo um Muito Obrigada à equipe do Dr. Hugo Pestana, assim como aos técnicos e enfermeiros que me atenderam. Me deram muito mais do que atendimento. Minha vida em SP ficou nas mãos de amigos incansáveis que resolveram as questões burocráticas que estavam em andamento com meus negócios e a minha rotina.

Minha turma de amigos que soube do acidente porque me ligou nesse meio tempo tem minha gratidão eterna. Telefonemas, mensagens, presentes e até homenagem com vídeo eu recebi. Sem falar na vibração positiva, na sustentação energética de orações, mensagens e muito, muito amor. Amo vocês.

Poucos amigos e familiares souberam do acidente porque eu não tinha condição de falar. O esgotamento ainda é absurdo. Tudo demora muito. Pra vocês terem uma ideia, este texto foi gravado primeiro para depois ser digitado....

Sair de uma posição e sentar leva quase 5 minutos porque os comandos do cérebro até a ação realizada pelo corpo ainda estão lentos. A cabeça entende o que quer, o corpo responde como consegue.

Digo a vocês que tiverem algum conhecido passando pelo mesmo problema: O amor das pessoas ao redor me ligando e mandando msgs mesmo sabendo que eu nao responderia foi fundamental.

Energia, orações, pensamentos positivos de todos meus amigos-irmãos incansáveis em me trazer afeto foram fundamentais. Dêem a mão caso encontrem alguém nessa situação.

Não se preocupem em achar palavra certa, não é necessário falar nada. Só olhem nos olhos, sorriam e dêem a mão. É tudo que nos conforta na hora da dor.

Ainda compilo muito o que levo dessa experiência, porque sinto muita dor e cansaço, mas já adianto a vocês uma lição : a vida é cada momentinho. Frase de efeito de auto-ajuda? não importa! Logicamente, um acidente é exceção, mas me fez repensar em várias coisas como, por exemplo, escolher não deixar pra depois qualquer ação pequena por "nao ter tempo de fazer agora".

Afirmei ainda mais o quanto pessoas são preciosidade na nossa vida. Quando a gente planta amor nao tem como receber nada diferente disso e ai percebemos isso na compreensão dos colegas de trabalho, clientes, amigos que entendem o que passamos e nos oferecem apoio.

Tudo é novo ainda, sentar, tentar levantar com andador ou muleta para ficar 30 segundos de pé. Meu pai-herói me ajudando o tempo todo, com suas palavras de imperador otimista, força e coragem. Minha mãe, mesmo na cadeira da sala me perguntando a todo instante se preciso de alguma coisa...

Essa fase de repouso e exercicios básicos deve durar alguns meses, mas estou ótima e feliz de só ter sido isso. Em janeiro, volto de muletas (o par Harry&Sally que meu irmão me deu de presente) e só em abril começo a andar sem muletas e lentamente.

Quando eu vinha pro Rio, mandei um SMS para uma amiga-irmã avisando a ela que finalmente estava retomando meu plano na academia e que faria um treino diferenciado com um personal. Ela me respondeu perguntando se ele tinha um treino para ser feliz pq era esse o mais importante. E é isso mesmo o que eu mais priorizo hoje, ter 24h um treino que eu leve dentro de mim e que, a partir dele, tudo se forme em volta. A prioridade da paz.

Acionar a paz dentro de mim o tempo todo que eu conseguir, sem deixar dieta pra segunda feira que vem ou qq coisa pra daqui a pouco porque "só vou ali". Faço já. O mundo fora vai acontecer, algumas coisas alheias à nossa vontade pq são livre-arbítrio dos outros mas, as outras, são orquestradas por nós mesmos.

A paz não deve estar nos 30 minutos da caminhada, de um dia inteiro. Ela deve estar com a gente o tempo todo. E eu escolhi viver isso. Sair do piloto automático, apreciar a beleza diante de tudo que vejo e usar meu tempo com as pessoas, situações e emoções que façam lembrar o tempo todo quem sou e tudo que quero fazer aqui.

Como diz o Plim Plim, voltamos à nossa programação normal. Ainda em ritmo lento, mas vamos em frente.

Obrigada a você que ficou aqui até agora. E lembre-se: segure a mão, olhe nos olhos, homenageie seus amigos, fale Eu te amo e seja presente, na vida de todos que ama mas, fundamentalmente, na sua.

Bjs!

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Cris Cardoso

Cris Cardoso é jornalista, editora-chefe do criscardoso.com e designer de acessórios da marca Cris Cardoso

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  • Link do comentário venus factor reviews Sexta, 24 Outubro 2014 postado por venus factor reviews

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A Cris Cardoso

Sou jornalista de profissão, comando a Additi Consultoria de Comunicação que cuida das marcas de Profissionais Liberais, SoHo´s e Corporações e sou diretora criativa da minha grife de acessórios, a Cris Cardoso.

Sou apaixonada por tudo que tem a ver com movimento desde pequena. Ingressei na dança aos 5 anos e, profissionalmente, fui bailarina clássica por 18 anos, professora e coreógrafa.

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